O Monument Bank, banco desafiante sediado em Londres, adiou o lançamento dos seus depósitos tokenizados destinados a clientes de retalho. A instituição citou entraves regulatórios no Reino Unido e agora espera avançar com o produto até novembro.
O caso é relevante porque mostra que até versões tokenizadas de contas bancárias comuns enfrentam obstáculos de compliance reais, mesmo num mercado tido como favorável às criptomoedas.
O que aconteceu
De acordo com a CoinDesk, o Monument Bank adiou o lançamento dos seus depósitos tokenizados para clientes de retalho no Reino Unido. O banco apontou questões regulatórias no país como motivo do atraso. Para cumprir os requisitos definidos pela Financial Conduct Authority (FCA), o Monument Bank associou-se a um custodiante canadiano. A instituição prevê agora lançar o produto de depósitos tokenizados para retalho até novembro de 2026. A notícia, publicada a 10 de setembro de 2026, não revelou a data de lançamento originalmente prevista nem as preocupações regulatórias específicas levantadas pela FCA. Também não foi divulgada a identidade do custodiante canadiano envolvido no acordo.
Como chegámos até aqui
Os depósitos tokenizados permitem aos bancos representar os saldos dos clientes através de tokens digitais em infraestruturas baseadas em blockchain, com o objetivo de acelerar liquidações e permitir pagamentos programáveis. Os reguladores do Reino Unido, com a FCA à cabeça, têm avançado com cautela nesta tecnologia, em comparação com outras jurisdições. A decisão do Monument Bank de recorrer a um custodiante canadiano sugere que a FCA exigiu salvaguardas adicionais antes de permitir que clientes de retalho detenham depósitos tokenizados. A fonte não especifica o que motivou os entraves regulatórios nem quanto tempo o banco previa originalmente para o lançamento. Também não foram divulgados detalhes sobre a estratégia mais ampla de tokenização do Monument Bank.
Porque é que isto importa
Para os clientes bancários no Reino Unido, este atraso indica que os produtos de depósitos tokenizados continuam numa fase de testes, ainda não prontos para uso imediato. Para quem constrói soluções na área da tokenização, a mudança para um custodiante canadiano mostra que os reguladores podem exigir arranjos de custódia offshore ou especializados antes de aprovar produtos de retalho. Para utilizadores de cripto e Web3 que acompanham a tokenização bancária, o caso evidencia que os bancos tradicionais enfrentam prazos mais longos do que empresas puramente cripto. Quem espera vir a usar um futuro produto de depósitos tokenizados deve contar com a possibilidade de novos atrasos, caso os entraves regulatórios persistam. O episódio serve de lembrete de que a banca tokenizada regulada avança ao ritmo do compliance, não da tecnologia.
A grande questão
Será que a cautela regulatória em mercados como o Reino Unido vai atrasar a adoção mais ampla dos depósitos bancários tokenizados a nível mundial, ou acabará por reforçar a confiança quando os produtos finalmente forem lançados? O atraso do Monument Bank levanta uma questão maior para todo o setor bancário: conseguirão os depósitos tokenizados escalar para uso generalizado no retalho, satisfazendo reguladores rigorosos, ou os requisitos de compliance manterão estes produtos nichados durante anos?
O que observar
O Monument Bank aponta agora para um lançamento em novembro de 2026 dos seus depósitos tokenizados para retalho. Vale a pena acompanhar a confirmação dessa data, a divulgação da identidade do custodiante canadiano e novas orientações da Financial Conduct Authority sobre regras para depósitos tokenizados. A Bonuz continuará a acompanhar a evolução da regulação da banca tokenizada no Reino Unido, dada a sua relevância para a infraestrutura de pagamentos Web3.


