O Proof of Attendance Protocol, mais conhecido como POAP, está encerrando as atividades após mais de 5 anos no ar. O sistema de selos onchain chegou a reunir 46.210 emissores, entre eles Coinbase e American Express, e o fim do serviço levanta uma pergunta difícil: quanto tempo uma ferramenta de memória Web3 consegue sobreviver sem receber nova infraestrutura?
O que aconteceu, de fato
O POAP se descreve como uma forma de transformar presença — física ou online — em prova onchain, cunhada como um selo colecionável. Ao longo de mais de 5 anos de operação, 46.210 emissores usaram o protocolo para criar essas lembranças onchain, segundo a The Block. Essa lista de emissores incluía Coinbase e American Express, dois dos nomes mais reconhecíveis a já terem se aproximado da infraestrutura cripto. A reportagem não especifica uma data exata de encerramento, nem um motivo declarado pela equipe do POAP. Nenhuma nota oficial do POAP é citada no material disponível até o momento. A marca de 46.210 emissores mostra o quanto uma ideia simples de selo digital se espalhou, tanto por plataformas nativas de cripto quanto por marcas mainstream, antes de o serviço chegar ao fim.
Como chegamos até aqui
O POAP surgiu como uma das primeiras tentativas de dar à identidade onchain um carimbo de tempo, permitindo que as pessoas provassem ter comparecido a uma conferência, a um evento de mint ou a uma chamada online. Tornou-se um selo comum em hackathons e encontros de comunidade, citado bem além dos círculos cripto depois que Coinbase e American Express passaram a adotá-lo. Por anos, o protocolo ficou quase sozinho nesse nicho, com poucos concorrentes oferecendo o mesmo modelo simples de mint para comprovar presença. Essa falta de evolução pesa agora: o POAP construiu sua ideia central cedo e manteve, em grande parte, a mesma abordagem, sem incorporar ferramentas mais recentes, como account abstraction ou uma infraestrutura onchain mais fluida, que poderiam ter reduzido custos e atritos tanto para emissores quanto para detentores dos selos.
Por que isso importa para você
Para quem já possui selos POAP, eles não desaparecem das carteiras, mas o serviço que emitia novos selos está chegando ao fim, encerrando toda uma categoria de emissão de provas de presença. Para organizadores de eventos e marcas, o encerramento tira de circulação uma ferramenta familiar, obrigando-os a buscar alternativas ou desenvolver soluções internas. Para desenvolvedores, abre-se uma lacuna: um sistema de prova de presença construído sobre trilhos mais modernos, com account abstraction e infraestrutura onchain mais barata, poderia ocupar o espaço deixado pelo POAP. Sistemas como o bonuz já combinam proof of participation, proof of attendance e proof of visit com memberships onchain, cartões de fidelidade e vouchers, integrados a experiências de realidade aumentada. Essa abordagem mais ampla e atualizada indica uma direção possível para a categoria daqui para frente.
A grande questão
Se um pioneiro como o POAP, usado por 46.210 emissores, pode encerrar as atividades depois de 5 anos, o que isso diz sobre a durabilidade de qualquer sistema de memória onchain? A prova de presença deveria ser construída sobre infraestrutura pensada para durar décadas, em vez de depender dos servidores de uma única empresa? E, no fim das contas, quem decide quais registros de presença merecem sobreviver?
O que observar
Até o momento, nenhuma data oficial de encerramento, cronograma de desativação ou plano de migração foi divulgado nas reportagens disponíveis. Detentores de selos e emissores devem ficar atentos a uma declaração oficial da equipe do POAP confirmando como os selos existentes serão preservados. Qualquer serviço substituto que se proponha a ocupar esse espaço deve ser avaliado pelo uso de infraestrutura onchain moderna, e não pela simples repetição do desenho original do POAP sem atualizações.

