O mais novo modelo da OpenAI, o GPT-6 Astra, estreou há uma semana sob elogios generalizados — incluindo a reconstrução de Manhattan, rua por rua, dentro de uma engine de jogos. Agora, usuários dizem que o modelo parece mais burro. A polêmica importa porque levanta a suspeita de que os laboratórios de IA reduzem o poder computacional em silêncio assim que o hype esfria.
O que realmente aconteceu
O desenvolvedor synthwavedd escreveu no X que "o Astra está significativamente mais burro para mim hoje", chamando o episódio de "A Lobotomia Pós-Lançamento". O desenvolvedor Pranjal Paliwal analisou códigos gerados pelo Astra e concluiu: "Não temos AGI. Temos uma regressão", segundo a Decrypt. O desenvolvedor Pankaj Kumar listou os sintomas: respostas mais rápidas, qualidade pior e a suspeita de que a OpenAI "reduziu o valor do juice", termo não oficial para o esforço computacional gasto por resposta. Os pesquisadores Salio e Md Ismail Sojal rodaram os mesmos prompts na versão de lançamento do Astra e na versão atual, e ambos relataram resultados piores agora. O Astra custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída, 2,5 vezes o preço de lançamento do antecessor GPT-5.6 Sol. Nem todos concordam que houve um corte deliberado. O usuário Antikythera argumentou que o modelo "é tão burro quanto era no lançamento", e que o hype simplesmente passou.
Como chegamos aqui
Isso não é novidade. O antecessor da OpenAI, o GPT-5.6 Sol, enfrentou exatamente a mesma polêmica em julho de 2026, quando usuários relataram que seu modo de raciocínio mais avançado havia perdido profundidade da noite para o dia. O executivo da OpenAI Tibo Sottiaux negou que a empresa tivesse enfraquecido o Sol deliberadamente, mas confirmou que a companhia vinha experimentando com o "esforço de raciocínio", a configuração que controla quantas etapas um modelo percorre antes de responder, segundo a Decrypt. Dax Raad, fundador da ferramenta de código Opencode, disse que sua equipe já havia revertido do Astra para o Sol, porque os custos dobraram sem resultados que compensassem. O próprio presidente da OpenAI usou o termo AGI para descrever o Astra no lançamento — uma afirmação que agora é usada contra o modelo pelos próprios usuários.
Por que isso importa para você
Para desenvolvedores que dependem da API da OpenAI, a inconsistência na qualidade das respostas tem impacto direto nos custos, já que o Astra cobra mais por token do que o Sol cobrava no lançamento. Equipes que precificaram projetos com base no desempenho da semana de estreia podem precisar reajustar orçamentos ou trocar de modelo no meio do caminho. Para o usuário comum, o episódio serve de lembrete de que benchmarks e demonstrações de IA capturam um momento, não uma garantia permanente. E para o avanço mais amplo de dispositivos vestíveis e AR, que dependem de raciocínio de IA estável e acessível, a instabilidade na qualidade dos modelos eleva a régua do que as empresas precisam testar antes de lançar produtos atrelados a um único fornecedor.
A questão maior
Se os laboratórios de IA podem ajustar silenciosamente o esforço computacional que um modelo gasta por resposta depois do lançamento, como usuários, desenvolvedores e reguladores devem verificar se uma capacidade anunciada ainda corresponde ao que o modelo entrega dias ou meses depois — e de quem é a responsabilidade de comprovar essa consistência?
O que observar
A OpenAI ainda não emitiu um comunicado nos moldes do que fez com o Sol para tratar das reclamações sobre o Astra. Fique atento a uma resposta oficial, semelhante aos comentários de Tibo Sottiaux em julho sobre o Sol. O Astra continua sendo o primeiro modelo da OpenAI a ultrapassar o limite de risco cibernético da empresa, restrito a defensores autorizados dentro do programa Daybreak. Mais testes lado a lado feitos por desenvolvedores devem surgir nas próximas semanas.



